quinta-feira, 19 de maio de 2011

Por Jonathan Oliveira



Comparo nossa vida ao imenso céu tamanha a imensidão do firmamento. Assim é o sopro que nos é dado quando nascemos; algo a que chamamos de vida, onde a cada dia vivido é uma lição que aprendemos.

        Ao olhar para o céu, vejo o quanto nossa vida é mutável e também rotineira: devido as estações que perduram por meses. Assim são os estados de espírito pelo qual passamos. E mesmo que as estações definam a paisagem, não são capazes de definir como será o próximo amanhecer.

        No verão - a estação mais quente –, os fluídos corporais exalam com mais freqüência. A cada aurora, um dia cada vez mais brilhante. Olhamos para o céu (com o qual nos comparo), e ele está tão azul, que, aos nossos olhos, será, com certeza, um dia mais que perfeito!

        No entanto, ao entardecer, ventos trazem nuvens negras, cinzentas, e o temporal se instala. Rápido, instantâneo e devastador…

        Assim acontece conosco: nossa vida está tão brilhante, tão viva, que nosso rosto resplandece. Tudo tem mais cor, e, esquecemos que os problemas (as nuvens!) tão densos, parecendo tão indissolúveis, se instalam.

        Mas o nosso resplandecer é tão intenso que são passageiros. Por maior que seja a intensidade deles, não perduram. Pois a necessidade de brilharmos, de demonstrarmos o prazer de estarmos vivos é tão grande que fazemos deles apenas mecanismos de um lindo arco-íris depois do imenso temporal.

        Então, ao passarmos essa fase de extremos, resolvemos nos estabilizar (o céu também é assim!), e chegamos ao Outono, onde o clima é mais ameno. O raiar do sol ainda é brilhante, mas os problemas nos rodeiam de vez em quando; a nossa imagem é um tanto confusa, pois, à procura da estabilidade, nos desestabilizamos. Até o que já estava estabilizado…

        Modificamos a paisagem constantemente. Alteramos cenários, mas não chegamos ao fim, com nenhum resultado consistente.

        Daí, nós nos entregamos a essa confusão e aquilo que, antes, eram apenas nuvens passageiras ou parte de um cenário instável, parece mais sólido. Espesso, parado... E vem o inverno.

Já não acordamos com o brilhar do sol, mas, com uma forte neblina capaz de cegar nossas esperanças. O céu: cinzento, frio, seco e sem esperanças.

        E assim ficamos.

        O dia mais longo.

        E ficamos assim por um tempo que parece eterno.

        Cada segundo é como um golpe ao nosso entusiasmo.

        Caímos no marasmo. No ócio. No comodismo de viver a espera de uma mudança.

        Então, é nessa fase que pensamos em sucumbir, desistir dos nossos objetivos e se entregar. Mas, brota uma flor.

        O calor de todo brilho já esquecido pelo tempo reaquece a terra, e, num dia (que não esperamos) nosso amigo Sol (que comparo ao Amor), que a tudo esclarece, que nos aquece e dá vida aos desesperançados,  volta. Com toda força. Dissipa toda e qualquer nuvem da duvida, do desespero...

        E vem a primavera. O recomeço de tudo. Aos poucos a alegria volta, e com ela a esperança. O brilho ainda tímido se intensifica. As nuvens vêm, também vão. E o ciclo reinicia.

        Assim é a nossa vida. Os cenários podem mudar, mas sempre haverá um novo amanhecer capaz de nos dar força de suportar mais um dia. E esperar. Pois tudo passa e também volta... Mas nada é como antes. Sempre haverá algo novo capaz de nos chocar. Mas também de nos ensinar a sermos melhor.

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